despoema
 MICRÓBIO 

Estou na imagem vaga de um caminho,
O brilho fugidio da semente.
Sou pássaro esquecido do seu ninho
Que culpa-se voando eternamente.

Estou no espelho estúpido quebrado.
Moído, após enganos e ilusões.
Com ele estão meu corpo e meu passado
Cobertos de loucuras e visões.

E assim, não tenho nada e nem queria;
Nem divas, nem a lua que cobria
Em sonho a minha vida e se perdeu:

Apenas quero estar no cemitério.
Por fim, eternamente homem sério,
Na orgia dos micróbios como eu.

 

Emerson Donizeti Batista