despoema
LÁGRIMA

A chama emoldurada no disfarce
Fenece enquanto cresce aquele espanto.
É um brilho e vem rolando pela face
Na insípida visão turvada em prantos.

Salgando a boca inerme e retorcida,
Aos poucos obedece às leis do amor:
Amarga um pouco a boca, adoça a vida,
Depois se eleva livre em seu vapor.

Limite que se expande frente à aurora,
Garganta desta noite que se faz,
A nuvem que não passa, se evapora

Ou perde-se em torrentes colossais.
E a lágrima nos olhos de quem chora
É nuvem que se foi pra nunca mais.

(set/96)


Emerson Donizeti Batista