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Além do meu sentido mais profundo,
Na pura inconseqüência de um porquê,
Percorro a vida inteira e rasgo o mundo
No gume do meu sol que não se vê.
Assim, como uma flecha sem caminho,
Desbravo este horizonte enquanto vôo,
Traçando no celeste azul, sozinho,
A imagem desta voz em que me ecôo.
No espectro de um Eu não-refletido,
De tanto imaginar o sem-sentido,
Procuro algum motivo sempre adiante.
E sempre relembrando algum momento,
No místico tanger de um sino ao vento,
Procuro em meu chamado o meu semblante.
(abr/93)
Emerson Donizeti Batista