despoema
SONETO PURO, LINEAR

De ti, fugaz lembrança do futuro,
Não guardo um só vestígio que há de vir,
És como a estrela errante que procuro
Na chuva sobre a argila do porvir.

Pois tudo e aquela brisa que me ardia
No peito como brasa me queimando,
Agora é a solidão que a ventania
Ao fogo lhe confere crepitando.

Mas paro, como em nada refletido,
Na inércia de não ser, e tendo sido
A vida que trilhei e que fiz juz.

Adiante, vejo um prado que eterniza
A imagem que emolduro nesta brisa
Que jorra dos meus olhos feito luz.

(set/96)



Emerson Donizeti Batista