despoema

LAMINAS DE FOGO


Enquanto a chuva insana permanece
Cobrindo de lembranças meu olhar,
A lâmina de fogo brilha e desce
Rasgando o véu de sombras que é sonhar.

Mas nada a consciência ousou descrer,
Pois resta mais que dor no ser pensante.
E é humano não querer passar adiante
Do instante que não pode acontecer.

Assim, enquanto durmo sem sentir,
Adiante alguma aurora há de surgir
Nos passos pela estrada do sem fim.

Entrego-me sem luta ao meu segredo
E a noite cerra os olhos do meu medo
Enquanto cai a chuva dentro em mim.
(fev/98)
 

Emerson Donizeti Batista