despoema
PANDORA E A CICATRIZ

É cinza a cor dos sonhos que acordaram:
São cores que fugiram, sombras presas:
São restos de desejos que ficaram
Na brisa que nasceu da correnteza.

E há lágrimas que a noite carregou
No gume da razão que me desliza,
Deixando as tatuagens no que sou
Das noites como um rio que cicatriza.

Desperto deste sonho sem motivos
No rastro do meu ego-fugitivo,
Ruflando as minhas asas sem razão.

Mas sonhos são detalhes de partidas
Que sangram cicatrizes ressequidas,
Trazendo a correnteza ao coração.
(ago/98)

Emerson Donizeti Batista