violoncelos
VIOLONCELOS 

Que amor suportaria a diferença
Que existe entre o querer e o ser querido?
Seria insensatez a recompensa
De dar o que se quer sem ser pedido?

Se adiante vais correndo, sento e espero
Que voltes, mas se voltas, já parti.
Então, como explicar-te o que não quero
Se tu já me mostraste o que não vi?

E como ver sentido no perfeito,
Se as curvas deste espaço rarefeito
São luzes que ao final vão se encontrar?

Por isso, num perfil de violoncelos,
Nós somos dois riachos paralelos
Que correm cegamente para o mar.

(Emerson D. Batista

Poema Vencedor do Mapa Cultural Paulista 1998)